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Mostrando postagens com o rótulo Seth
Horus vinha não se sabe donde, passava por um restaurante universitário. Não era o restaurante da Faculdade da Rua D`Assas, mais se assemelhava ao velho Restaurante Universítário do Corredor da Vitória, nos idos de 1964, quando fizera vestibular e frequentava vez por outra aquele comedouro, povoado de figuras folckloricas, como Wilson o eterno estudante que já passara por diversos cursos, sem se fixar nenhum ou como Graciliano,  poeta nascido em  Ubaitaba que, depois do almoço, subia na mesa e recitava seus versos. Neste momento sobrava comida  e se viam bandejas cheias, frutas e nosso conhecido romeu e julieta. Como Graciliano, subiu numa mesa e passou a andar por cima delas e embora tivesse vontade de pegar uma daquelas guloseimas, se conteve, com medo da repreensão do bedel. Havia uma mesa, com sucos gelados, enrolados em saquinhos plásticos, como um sorvete  congelado. Pegou um e começou a morder o plástico, quando viu...

NOITE EM PARIS

Fazia um friozinho e chuviscava. Ele parara em frente ao Eléphant Blanc . Esperar. Logo estiará. Eram, talvez, duas horas, ou menos. Outras pessoas, também, ali. Esperavam, silenciosas, a chuva passar. Um homem baixo,  careca luzidia,  roupas modestas, parou em sua frente e de costas, coçando seus perigalhos, comentou sobre o tempo. Eterno tema das conversas dos que nada têm a dizer. Tempo, Tempo. Eró, Eró. Tempo, Tempo.  Não me comas, não me devores, meu pai. Eu quero viver. “ Oh quero viver, beber perfumes na flor silvestre que embalsama os ares ”.  Eternidade, te quero.  Mecânico, respondera-lhe.  Convicto, papo assim,  não inicia amizades,  e, só isto  lhe interessava, difícil fazer amigos na França,  mais ainda,  conservá-los. Como ser amigo de um clochard ? De quem não tem  morada, não saber onde procurá-la nos momentos difíceis? Não. Não era um mendicante. Flanava, apenas, flanava. E se fosse, iria preci...