Anhangá sou eu. Sou eu anhangá. Protetor das matas, dos rios e da caça. Aparo as flechas do caçador voraz e ajudo quem só mata pra comer. Com meus olhos cor de fogo queimo a pele do malvado, dou-lhe coices, dou chifradas, corro com ele às léguas, perdendo-se no cipoal. Quando quero lhe cavo a terra, onde se afunda, paulada dou-lhes nas costas e rio de seus gemidos. Deixa-me em paz, anhangá, eu não piso mais aqui, deixo em paz teus animais, deixa eu viver em paz.
Antes do tudo o que é hoje, o nada era o tudo que existia. Um velho senhor, barbudo, solitário e rancoroso, disse de si para si, porque não havia outros para se falar, pois nem mesmo se tinha inventado as outras duas pessoas divinas, (Pessoas? Há uma pomba no meio que não é a Gira), razão porque, como os loucos, o Senhor falava sozinho. “Poxa, tudo é tão nebuloso e disforme! Um tédio! Chega, não aguento mais, vou bagunçar esta porra e criar um lugar de delícias para eu ir quando eu estiver entediado aqui no céu. E assim criou o mundo, que, a bem dizer, só fez separar o céu da terra, porque era o tudo que existia antes, que era o nada, e, se chamar de céu, porque de sua morada. Aí, ele pôs na terra, ah, ia-me esquecendo, chamou este lugar de ...
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