Se o pastor Emanoel Silva de Jesus tinha, como a maioria, o costume de comer suas ovelhas, nunca mais o bichin vai comer uma. É que, de comedor, foi comido. Pois não foi batizando fieis que recebeu a visita de um jacaré-açu? Imaginou Seu Manel estar nas águas mansas da Lagoa do Abaeté e foi mergulhar seus fieis no Lago Abaya. Mergulhou o primeiro e quando se preparava para mergulhar o segundo, o bicho apareceu, e como estava de costas, apanhou-o pela bunda, mas sem poder segurá-lo. É que Manel, tudo indica, nem teve tempo de chamar pelo Senhor Jesus e se cagou todo. O crocodilo, era, sim, um crocodilo, sentindo a catingueira, largou-o momentaneamente e o segurou pelas permas e começou a sacudi-lo dentro d´água para lava-lo das fezes. Foi aí que pescadores e moradores do local, aproveitando-se do vacilo do crocodilo, jogaram redes, bateram-no com paus, e tomou Manel do bicho, mas não era mais Manel, senão seu corpo dilacerado.
Antes do tudo o que é hoje, o nada era o tudo que existia. Um velho senhor, barbudo, solitário e rancoroso, disse de si para si, porque não havia outros para se falar, pois nem mesmo se tinha inventado as outras duas pessoas divinas, (Pessoas? Há uma pomba no meio que não é a Gira), razão porque, como os loucos, o Senhor falava sozinho. “Poxa, tudo é tão nebuloso e disforme! Um tédio! Chega, não aguento mais, vou bagunçar esta porra e criar um lugar de delícias para eu ir quando eu estiver entediado aqui no céu. E assim criou o mundo, que, a bem dizer, só fez separar o céu da terra, porque era o tudo que existia antes, que era o nada, e, se chamar de céu, porque de sua morada. Aí, ele pôs na terra, ah, ia-me esquecendo, chamou este lugar de ...
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