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BASTA NÃO TER MEDO DO RIDÍCULO

                                  Abramos os olhos, está acontecendo algo muito perigoso no mundo. Se demorarmos, já não tem jeito! Não se deixe enfeitiçar pelo canto das sereias, amarre-se, como Ulisses,  ao mastro do navio. As $ereias são assustadoras. Sim, mas haverá quem nos livre de seus cantos, seus encantos. Ulisses renascido.
                                              Um campo florido,  muitas cores. Não, não é um campo, um jardim, que algumas delas  não nascem aqui, sem que se plante. Ali, copos de leite, quanta brancura, pureza e inocência (criados assim), aquelas espigas amarela, d´alegria e bonança, dizem. bonança, sucesso e luz. Que mãos as plantaram? quem saberá? Deus, só mesmo ele,  dizem. Antão, ninguem. Mãos e cabeça, cabeça e mãos; -se Um mundo. Que pensava neste momento? Inebriar-se com o perfume?  Suas coress? Fê-lo ou partir antes, deixando para outros? Quem se não é, o levou? Foi-se por si, ou lavado para a guerra colher sangue? Se...é. Se não, não o é. Que me dizes tu? Um jardim é um jardim, mas aqui também há juá-de-boi, jurubeba, caçutinga, alecrim-vaqueiro e até um pé de licuri. Em Tanquinho, no jardim em frente à igreja, eu vi tudo isto, mas aqui não é T...
                                 Acordei cedo, hoje, muito antes  do toque de despertar. Como? Nem sei se dormi; Você não pode acreditar, ter acordado. Pode? Quem, bom da cabeça, consegirá pegar no sono, sabendo que será executgado no amanhã? Uma noite, eternidade. Me via desaparecendo entre os guardas, quando vinham me buscar, levar à câmara de execução. Ficavam tontos ao me ver, mas encontrarem o vazio, tentando me segurar. Imprecações de toda sorte, gritos chamando mais gente para ajudá-los, Eu atravessava portas, paredes, tetos e assoalhos. Tinha de ser descoberto, pois volta e meia dizia ter-me e logo sumir. Corria para todos os lados, mas a saída? Labirinto, torturar o fujão e, depois, encontrado,castigado brutalmente. Via o mar ao longe, por onde não poderia sair, salvo se pudesse andar sobre as ãguas, como dizem do filho do carpinteiro José. Não como conhecer este lugar, adredemente prepara...

                                        Quem deu a estes caras, poder para matar?Nós? Iríamos dar-lhes poder para nos matar? Nunquinha! Uma usurpação dos maiorais. Quantos deles, condenados à morte, hein? Me aponte um. A não ser por politica, assim mesmo, nem sempre o fazem, medo de revanches. Mas o pobre coitado que nem eu?  Condenados de montão. Basta olhar os corredores da morte nas masmorras do Estado. Aqui mesmo, perto de mil. Mil esperando a morte, no corredor sombrio, uns como Chessman, estudam, escrevem, pintam, outros apenas vegetam,  desiludidos da justiça dos dominantes e fazem muita besteira e atraem para si o ódio, o despezos dos olhos claros. Gente que se vê como morto-vivo, sem motivação para arredar uma pena. 
                                                           Não matei por querer, nem acreditando ter poderes para matar. A bem dizer, não tenho a menor ideia de como cheguei àquele momento, tenho certeza, o menor impulso de outrem e eu não o teria matado, podendo até morrer. Haverá alguém capaz de definir um momento deste? Embora tentem se apropriar de outros planetas, não creio que o homem tenha chegado a um tal grau de conhecimento que possa definir um assassinato.                                O que passa na cabeça de alguém naquela exato momento. É tudo tão rápido que não se pode lembrar. Que velocidade tem a luz num segundo? Assim será aquela hora.                               ...
                                  Narube, sim de dentro para fora, como tudo começou; Primeiro, um forte cheiro, depois o fumaça, depois fuligem, depois o inferno. Já foste ao inferno, não, Dante foi, pinto-o do mesmo jeito, sem plagiar, entretanto. De longe, todos riam, sem imaginar que ali havia gente. Ouço Ibsen, o Canto de Solveig, esperando Peer Gynt,  segundo Grieg. Kanke vil der ga bade Vinter og var. Pode passar o inverno e a primavera desaparecer, um dia, eu sei, tu irás aparecer. Oh inverno de nossos dias, quando partirás?                        Verde ainda sou, por quê partir, agora? Quem assim determinou meu destino? Quem está a manipular os cordões da existência?