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A CRIAÇÃO

                                                          Antes do tudo que existia o nada era o tudo. Reinava, solitário, nesta imensidão nebulosa e disforme, um velho senhor barbudo e rancoroso. Ele já estava de saco cheio de viver só naquela imensa escuridão. Então, como os loucos, falou consigo mesmo, porque inda se não inventara as outras duas pessoas, pelo menos, não se fala disto no gênesis, nem em todo o velho livro. Já estou de saco cheio. Aqui sozinho, sem ninguém pra mandar, nem mesmo brigar, nenhuma aprazível paisagem, sem bichos, nem árvores, nem canto de pássaros para alegrar meus dias. Que tédio, um minuto parece uma eternidade. Resolvo este problema ou não me chamo deus, vocês vão ver. Então, como um mago, que ainda não existia, umas palavrinhas e criou o mundo. Pra dizer a verdade, nem o criou, apenas s...

EU SUNT STEPHEN PADDOCK

                                                                                                                                                Sim. Sou Stephen Paddock. Que mal fiz eu, perto das atrocidades do mundo? Milhões choram menos de uma centena de mortos e alguns feridos, esquecidos dos milhões mortos pelas guerras, que nada mais são do que terrorismo de Estado. Não, não é para justificar meus atos, nem quero que me perdoem. Apenas, vejam. Não sou melhor nem pior de quem, hoje, me apedreja. Saibam. Nunca  eles vão te contar a verdade. Mentem dizendo que me matei. Eles dizem isto com todos. Matam para sil...
                                                                                                                                                                        As pernas dela estavam abertas, estiradas. Seus cabelos espalhados sobre o lençol. As dele dobradas, encolhidas, quase um feto. O que se passara ali? Ninguém saberá. Céus, testemunhas mudas, nada revelam. Passado, presente, futuro, escritos em língua indecifrável. Nus. Não me atrevi a olhar a nudez da morte de jovens inda virgens nos mistérios da vida. Que bela, disse, pudicamente. Flor desf...
Horus vinha não se sabe donde, passava por um restaurante universitário. Não era o restaurante da Faculdade da Rua D`Assas, mais se assemelhava ao velho Restaurante Universítário do Corredor da Vitória, nos idos de 1964, quando fizera vestibular e frequentava vez por outra aquele comedouro, povoado de figuras folckloricas, como Wilson o eterno estudante que já passara por diversos cursos, sem se fixar nenhum ou como Graciliano,  poeta nascido em  Ubaitaba que, depois do almoço, subia na mesa e recitava seus versos. Neste momento sobrava comida  e se viam bandejas cheias, frutas e nosso conhecido romeu e julieta. Como Graciliano, subiu numa mesa e passou a andar por cima delas e embora tivesse vontade de pegar uma daquelas guloseimas, se conteve, com medo da repreensão do bedel. Havia uma mesa, com sucos gelados, enrolados em saquinhos plásticos, como um sorvete  congelado. Pegou um e começou a morder o plástico, quando viu...

CENA ENTRE DOIS QUE SE AMAM

Peça em um ato publicado em 24.10.2005 no sítio: http://www.supergoa.com/pt/forum/read.asp?c_post=5084 que se publica aqui para se comprovar a anterioridade do título do livro Noite em Paris ao filme Meia Noite em Paris. F Ó R U M   Fórum: Fórum SuperGoa.com Páginas [  Últimas  |  Pesquisar  |  Nova Mensagem  |  Outros Fóruns  ] 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 ...

O PRAZER É AGORA

         Se arrependeu de ter emprestado seus dólares para  Rolembergue. Confirmado estava. Brasileiro, povinho enrolado. Francês não gosta de brasileiros, com razão. Zuadentos, metidos a gás com água e  mal-educados. Olhava o quadro de anúncios  n`Aliança Francesa. Só por hábito, porque não queria mais ajudar ninguém, depois de lhe terem roubado tudo em uma festa que dera. Perfumes, roupas, sapatos que ganhava das lojas onde levava turistas. Rolembergue ouvira falar. Chamam-no Consul Particular do Brasil. Desconfiavam até. O cara é do DOPS, quem não vê? Está sempre discutindo política, para descobrir comunistas, esta, uma das táticas do DOPS. Infiltração.  No Brasil está tudo minado, há informantes até nas latrinas, a gente deve ter cuidado. Não é bolsista, não é rico, quem o sustenta? Não é exilado político, como Valdir, Juscelino  e Arraes. É Alcaguete, com certeza, dedo duro. Diz, com orgulho, ter criado o t...