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segunda-feira, 11 de junho de 2018














                                                         

                                                  Si ieu vreau. Claro que quero, kicsi angyalkam, se você também quiser meu doce anjo, fons vitae meae. Tu erai totul dar totul trece. Que passa, passa, dar sei esperar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018













                                                  Se o pastor Emanoel Silva de Jesus tinha, como a maioria, o costume de comer suas ovelhas, nunca mais o bichin vai comer uma. É que,  de comedor, foi comido. Pois não foi batizando fieis que recebeu a visita de um jacaré-açu? Imaginou Seu Manel estar nas águas mansas da Lagoa do Abaeté e foi mergulhar seus fieis no Lago Abaya. Mergulhou o primeiro e quando se preparava para mergulhar o segundo, o bicho apareceu, e como estava de costas, apanhou-o pela bunda, mas sem poder segurá-lo. É  que Manel, tudo indica, nem teve tempo de chamar pelo Senhor Jesus e se cagou todo. O crocodilo, era, sim, um crocodilo, sentindo a catingueira, largou-o momentaneamente e o segurou pelas permas e começou a sacudi-lo dentro d´água para lava-lo das fezes. Foi aí que pescadores e moradores do local, aproveitando-se do vacilo do crocodilo, jogaram redes, bateram-no com paus, e tomou Manel do bicho, mas não era mais Manel, senão seu corpo dilacerado. 

                                               

domingo, 22 de abril de 2018

ANGUERA, ANHANGUERA















                                                              Por onde andas, tu? terrível Anhangue? Puêra, sem rastros, perdido nos longínquos alvoreceres de nossa raça! Não é que um tempo outro tu retornas em forma de gente para ensinar o populacho se comportar como gente? Cadê Maria Louca, Agnaldo e Aleci, para onde tu os mandaste vagar? Tu o sabes, amigo. Conta-me esta saga; Aleci,  de cabeleira maior do que ele, sentia orgulho de sua juba, exuberante, esvoaçante sobre si. Era um dos nossos bedeis. Mas um bedel amigo que não nos encanava com os padres. Anguera de Pedro Régis, das aparições da Virgem, por onde anda Aleci?, conta-me de Agnaldo, fala-me de Maria Louca.

domingo, 1 de abril de 2018














                      Naiana, na maioria das línguas tupis e guaranis significa Flor do Mel, mas a história da nossa jovem Naiana não tem flores nem é tão melíflua quanto o nome diz. É que jovenzinha já se sentia nela alguma deficiência que a fazia diferentes dos demais jovens de sua idade. Teve dificuldade para falar e entender as coisas, sendo sempre a última dos últimos alunos da escola que frequentava. Esta deficiência, entretanto, era compensada por sua esfuziante beleza. Não é que a garota começou a ter um comportamento estranho? Pois foi sua avó, Camila Alvarenga, que desconfiou de tudo e pôs a neta em confissão. Ela lhe disse que sua mãe a deu ao ex-prefeito para fazer sexo pelo valor de trezentos reais. Indignada procurou o promotor, que estava viajando, sendo aconselhada  a procurar o juiz. 
                No forum, a velha senhora procurou pelo juiz, tendo sido informada que o magistrado, Dr. Sergismundus Fredenandus, um homem sisudo e tido como implacável no combate ao crime, estava ocupado, que não poderia atendê-la no momento. Mas este povo da roça é turrão e insistiu, fazendo muita zoada, dizendo que só sairia dali depois de ser atendida pelo doutor que para isto ela pagava direitim seus impostos. Tanto insistiu e tanto gritou que  o magistrado resolveu deixar seu gabinete para ver de que se tratava. A velha, ao vê-lo, correu até ele pedindo socorro para sua neta. O juiz recuou um pouco com asco, mas logo abriu um tímido sorriso que a anciã interpretou como um  socorro. Apontou para sua neta. Doutô ela é doente e abusaram dela. O meritíssimo parou atolesmado, olhando para Naiana. Chamou-a, venha cá minha filha. A menina levantou-se timidamente e se dirigiu ao juiz. Levou-a para seu gabinete, e dando ordens para não ser incomodado, trancou-se com ela. 

sexta-feira, 2 de março de 2018

A CRIAÇÃO














                                  

                      Antes do tudo que existia o nada era o tudo. Reinava, solitário, nesta imensidão nebulosa e disforme, um velho senhor barbudo e rancoroso. Ele já estava de saco cheio de viver só naquela imensa escuridão. Então, como os loucos, falou consigo mesmo, porque inda se não inventara as outras duas pessoas, pelo menos, não se fala disto no gênesis, nem em todo o velho livro. Já estou de saco cheio. Aqui sozinho, sem ninguém pra mandar, nem mesmo brigar, nenhuma aprazível paisagem, sem bichos, nem árvores, nem canto de pássaros para alegrar meus dias. Que tédio, um minuto parece uma eternidade. Resolvo este problema ou não me chamo deus, vocês vão ver. Então, como um mago, que ainda não existia, umas palavrinhas e criou o mundo. Pra dizer a verdade, nem o criou, apenas separou o nada que era o tudo, onde morava e com o qual se confundia, chamando de céu, a parte escolhida por ele, e de terra, o resto; Não criou o inferno, porque o livro  não o menciona, alguns de seus astutos seguidores, muito tepo depois, observando que ele falhara neste particular, resolveram criar o inferno para infundir medo na turba. Não se sabe qual língua usada por ele, porque nem a bíblia diz, nem os estudiosos conseguiram descobrir sua língua materna, nem a das criaturas que ele iria criar no futuro, Adão e Eva. Mas, segundo dizem, deus é brasileiro, podendo-se  afirmar, de cátedra: Chamou a terra de terra mesmo e o céu de céu, em castiço português. Entretanto, nunca se fica satisfeito com o que se tem, sempre se quer mais, disse então consigo mesmo. Tá uma chatice, só. Para que este mundão todo, se não tem ninguém pra tomar conta? Não posso deixar meu céu todos os dias para administrar a terra, mas se a deixar a toa, vai virar um brega total. Vou ter que criar alguma coisa que administre a terra. Pensou e pensou muito, como sempre, sozinho, porque não havia ninguém para o aconselhar, nem mesmo os anjos, porque estes só foram criados, após terem suas novas criaturas comido uma tal fruta proibida. Pensou tanto que terminou fazendo merda, pois chegara à nefasta conclusão de que deveria criar um cara parecido com ele para a administração de sua obra. Assim, criou, do barro, uma figura tal como ele, só que mais jovem, mais bonito e mais simpático. Nisso, ficou admirando sua obra, que considerou sua obra prima e ficou com uma peninha danada do cara. Coitado ficar sozinho neste mundaréu, sem ninguém para conversar. Não vir todos os dias aqui bater um papinho. Foi aí que ele errou. Não sou eu que estou dizendo que ele errou, é o livro,  é  a Igreja Católica que dizem isto. Longe de mim esta veleidade de dizer que ele errou. E até parece que houve uma espécie de traição. É que ele botou a criatura que ele criou, chamada Adão, para dormir, hipnotizando-o,  e enquanto ele dormia, arrancou-lhe uma costela e fez outro parecido, mas não igual, pois no lugar do pênis, colocou uma cona. Quando Adão acordou tomou um susto danado e quase saía correndo, mas o senhor, com um olhar malicioso, lhe disse, fica aí rapaz, não está vendo que trouxe uma pessoa para você brincar no jardim? Ela se chama Eva. Foi então que Adão observou bem e viu que aquela criatura ia ser sua delícia pelo resto da vida. Neste momento o senhor ficou sério, categórico e falou: Olha gente, vocês podem comer de todos os frutos aqui, até mesmo aquele que a Eva tem entre coxas, mas pelo amor de deus, não me coma aquela fruta daquela árvore ali. Adão, ingenuo, como todo o homem, perguntou. Mas por quê, senhor, logo aquela, tão bonita. deus disse: Aquela é a árvore do bem e do mal. Vocês acreditam que Adão obedeceu? Uma ova, uma bela tarde, depois de terem comido um bocado daqueles frutos, até mesmo o fruto dela, e ela ter chupado o fruto dele, cansados, como sempre, depois destas traquinices, pegaram no sono. Também é certo que ao se acordar, se estar com fome de leão, sem falar que o vegetal se desgasta mais rápido e tudo indica que neste dia não tinham comido carne. Foi Eva, em geral é assim,  quem acordou primeiro. Justamente aí, ao levantar-se da macia cama de relvas, ouviu uma voz. Eva, Eva, Eva. Pensou até ter sido   Senhor, querendo se aproveitar do sono de Adão pra fazer ousadia. Olhou para todos os lados e não o viu. Deu graças a Deus. Ter que dar pra aquele velho rabugento. Não é que a voz chamou novamente? Tomou um susto. Estava bem ali na árvore do bem e do mal. Com uma fruta na mão lhe dizia: Experimente esta fruta, é a melhor daqui. Ela estacou. Lembrou das ameaças do senhor. Mas, aquela criatura tinha um poder encantatório, tomou, então,  do fruto lascou lo dente. Não é que a desgraçadinha é gostosa? Chamou Adão, como boa companheira, não poderia deixá-lo sem experimentar de tão doce fruto. Ainda sonolento, Adão, pegou da fruta e tirou uma mordida e viu que era boa. Pra que? Não demorou muito, talvez alguns segundos, apesar da distância entre o céu e a terra, e o senhor lhes aparece tremendo de raiva. Eles correram e se esconderam atrás de uma parreira. Pegaram umas folhas da parreira e cobriram o corpo, lamentando não terem tido tempo de se esconder atrás das bananeiras, de folhas maiores pra cobrir melhor o corpo. Foi, então, que o senhor, talvez por causa da ira, posto que quando se está irado, se perde um pouco a  razão, chamando-os ao gritos,  cometeu uma cacofonia: Eva e Adão  onde estão vocês? Não adianta se esconderem, agora, sabem já que tudo vejo, tudo sei, só quero ouvir de suas bocas, o que vocês fizeram de errado para estarem cobertos de folhas? Eva, sempre mais afoita interroga o Senhor. Se o Senhor já sabe, por que quereis nos infligir estes martírio? Só faltou o Senhor dizer: Que sujeitinha mais desassuntada, mas calou em sua ira e esperou impassível, até Adão, acovardado e envergonhado, disse: Foi ela que me deu do fruto proibido; Afoita e de cabeça erguida, retrucou: Foi a serpente que tu criastes que mo deu, não vi nada de mais e comi e achei bom. Pois já que achastes bom, expulsá-los-ei deste jardim, e de agora em diante, comereis do suor do próprio rosto. E não tem choro, nem vela, peguem seus paninhos de bunda e se piquem de meu jardim. Nem é preciso dizer que saíram dali com uma quente outra fervendo. Andaram sem rumo por campos desconhecidos, porque antes não saíam do jardim, até chegar a noite, quando pousaram numa caverna, onde dormiram até o dia amanhecer. Para perderem o costume a primeira coisa que fizeram foi dar uma. Pensaram, já que perdemos o paraíso, vamos continuar nossa comilança porque a fruita aqui também é boa. E o resultado desta comilança se chamou Caim e Abel.
                     Quem constitui família está sujeito a decepções e Adão e Eva não foram uma exceção. Mas eles põe a culpa de tal assassinato ao Senhor porque eles deram uma educação aos filhos, só não os mandaram à universidade, porque os homens ocupados com guerras, conquistas e outras frutiquices, só foram inventar este tipo de ensino na idade média.
                       Caim, era agricultor, Abel pastor. Não é que um dia Caim matou Abel? Por puro  ciúme. É que o senhor disse que se agradava mais dos sacrifícios de Abel, eis que a fumaça dos carneiros sacrificados cheirava mais e subia até os céus, onde ele habitava, ao passo que a fumaça dos frutos de Caim, nem tocava as nuvens
                  Matando caim a  Abel, foge lamentando-se e temeroso de que alguém o encontrasse e o matasse. Mas como poderia ele encontrar alguém, se na terra, neste momento só existia três pessoas: Ele próprio, seu pai e sua mãe? Por aí se vê a falta que fez não ter Caim cursado uma Universidade. Seu conhecimento de demografia era zero, e de matemática ainda pior. Como, não saber, que havendo na terra, só quatro pessoas ele, seu irmão, seu pai e sua mãe, tendo ele matado seu irmão, não poderia encontrar mais ninguém na terra? E para complicar as coisas o Senhor pôs um sinal em Caim para que ninguém o matasse. Deste pode-se deduzir duas coisas ou o senhor assim o fez para atormentar a Caim, já que sabia não haver outras pessoas na terra que aqueles três, e aí, o senhor se mostra um autentico mal carácter e torturador, ou então ele também ignorante de demografia e matemática.
                Mas a coisa não fica por aí. Dizem que Caim, em suas andanças, terminou na terra de Node e lá conheceu sua mulher  que lhe gerou  Enoque.
                  Há uma contradição aqui. Eu quero crer que quem escreveu isto pulou um trecho. Mas como se a Bíblia é a palavra de Deus? Não pode haver contradição. Vamos admitir que o Senhor para atormentar mais ainda o pobre do Caim povoou uma terra que chamou de Node, onde ele teria conhecido sua mulher. E o pobre do Enoque? Filho de um fratricida, devia sofrer horrores dos coleguinhas de escolas. Neste tempo não se chamava de bullyng, até porque admitindo-se que deus era brasileiro, e, portanto, falava português, todos falavam português, caso contrário, não teriam como se comunicar com o Altíssimo, e aí eles chamavam de inticação ou enticação, zombaria ou outras palavras, porque nesta matéria o português é rico.  
                      A coisa é cada vez mais complicada. Teria Caim edificado uma cidade a que deu o nome do filho, uma cidade para ninguém, a não ser que se admita ter o pobre Caim e sua mulher tenham  virado ratos e gerado filhos para povoar a cidade.
                       Tudo muito complicado e confuso.

     

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

EU SUNT STEPHEN PADDOCK

                               










                                                       
                                                       Sim. Sou Stephen Paddock. Que mal fiz eu, perto das atrocidades do mundo? Milhões choram menos de uma centena de mortos e alguns feridos, esquecidos dos milhões mortos pelas guerras, que nada mais são do que terrorismo de Estado. Não, não é para justificar meus atos, nem quero que me perdoem. Apenas, vejam. Não sou melhor nem pior de quem, hoje, me apedreja. Saibam. Nunca  eles vão te contar a verdade. Mentem dizendo que me matei. Eles dizem isto com todos. Matam para silenciar as razões de nosso ato. Querem manter a imagem de um país uno, sem divergência. Anos ouvindo. Somos a maior nação e nossa forma de vida, a melhor. E em nome disso, mandam-nos à guerra matar irmãos. Quantos morrem, diariamente,  no mundo por nossas mãos? Um dia recebi um chamado. Uma voz nunca antes ouvista. E me preparei para servir à aquela causa. Inchalá. Deste local privilegiado eu vejo toda a orgia que se perpetra lá embaixo. Ah humanidade podre, enquanto isto, milhões de irmãos morrem de fome, sede e frio. Nesta hora ninguém se lembra de Deus, mas daqui a pouco todos gritarão seu nome. Canto e risos serão gritos e gemidos. Ouvirá o Senhor, Deus é Grande, seus gritos? Logo, logo o FBI dirá: Um ataque isolado, de um louco, nada a ver com Estado Islâmico. Até apelido. E como eles explicam tantas armas, tanto equipamento? Lobo solitário, só rindo. Será o povo imbecil para acreditar neles? Breve, o mundo falará de mim, mesmo repetindo as mentiras oficiais, falarão. Outros irão mais longe. Indagarão, refletirão. Adeus vidinha medíocre de jogatinas e mesmice. Chorem, medíocres, mas agradeçam. Alguém os está levando à reflexão.

sexta-feira, 28 de julho de 2017
















                                                   
                                                         
                                                          As pernas dela estavam abertas, estiradas. Seus cabelos espalhados sobre o lençol. As dele dobradas, encolhidas, quase um feto. O que se passara ali? Ninguém saberá. Céus, testemunhas mudas, nada revelam. Passado, presente, futuro, escritos em língua indecifrável. Nus. Não me atrevi a olhar a nudez da morte de jovens inda virgens nos mistérios da vida. Que bela, disse, pudicamente. Flor desfeita, amar amargo. Tanta carne exposta, açougues vazios. As vitrines de Amesterdã estão, hoje, em toda parte, pessoas vendidas sob nossos olhos. Fingimos não ver. Dois corpos quase castos. Ali, na cama fria do hotel. Buscavam o amor. Que luz divina cortou-lhes o sopro?  Oh, Céus, implacáveis! Que fim macabro escrevestes nestes livros? Por quê, oh céus, permitis o murchar da flor, sem que venha o fruto? Tu decides, assim? Sem tempo de madurar o fruto? Para que os trouxestes à terra, então. Melhor que os tivessem deixado nos confins do infinito. Não quereis, oh Céus, que uns paguem pelo mal que outros fazem. Que injusto que seria. Isto mesmo,  quereis vós? Quão insaciáveis sois, quão sanguinários. Quanto sacrifício exigis de nós. Impondes fé e castigo para quem não crer. Dizei-me, oh Céus, não haverá um entre vós que se rebelará contra esta tirania? Assembleia terrífica, que guardais para os homens? Trabalho e castigo, para ficardes no ócio? Para isto os criastes? Não sois vós, obra de nosso medo? 
                                   Terno quadro de natureza morta. Terrível paz, se se pode chamar de paz a morte. Esta intrujã, enganadora.
                               Manhã nefasta.Teria eu, visto o casal entrar? Quantos por noite? Quantos gemidos? Quantos,  ali,  traindo alguém? Quantos, vendendo o corpo? Hoje, mulher e homem vendem seus corpos. Acha-se normal. Vai longe o tempo da prostituição sagrada. Sisudos sacerdotes de Ishtar, bem como santificados bispos da igreja, tomam das mulheres solteiras o dinheiro pago pelo ritual. Para crescer os meios são santos. Ritos? Que amor selvagem  se pratica, hoje,  nos hotéis, os novos santuários do amor?